Uma das coisas que pude perceber aqui no Distrito federal é a atuação do governo. Na sua grande maioria, as ações que são anunciadas são cumpridas. E é isso que me preocupa.

© World Bank / Fernando BizerraUma ação do GDF (Governo do Distrito Federal) anunciada esta semana pretende tirar das ruas quem vive nelas. Agentes sociais vão tentar levar para pensões, pequenos hotéis e um albergue os moradores de rua por tempo indeterminado. Ao todo são 600 indigentes contabilizados, que vivem sob as marquises da rodoviária e debaixo dos viadutos da esplanada.

Mas e daí?

Daí que esses caras vivem de esmola. Dada por nós. E a pura e simples remoção das ruas, sem um programa que garanta para esses indigentes uma profissão através de cursos de capacitação, para que deixem de viver da esmola e sim de seu próprio trabalho, não vai adiantar em absolutamente nada. Vai ter neguinho saindo do albergue e voltando pra mendicância. Já que os burros já foram expulsos, agora é a vez da galera do “eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas tô aqui te chateando”.

Isso não é uma ação social. É um programa de assepsia governamental.

Todo governo de qualquer cidade do país possui ações e programas para tratar dos moradores de rua. Ou pelo menos deveria ter. Só que o sucesso dessas ações não está somente no fato dos moradores de rua não terem uma fonte alternativa de renda, como a esmola, para aceitarem a ação do Estado. Mas também na garantia de que estas pessoas terão como produzir e sobreviver independentes. Nessa o governo tem que entrar de sola.

Ou podemos esperar as meninas de saiote aos bandos rodando por aí.

Fonte: G1 e DFTV. Foto: Fernando Bizerra

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